{"id":25776,"date":"2021-07-21T11:50:27","date_gmt":"2021-07-21T14:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/?page_id=25776"},"modified":"2026-07-27T21:17:37","modified_gmt":"2026-07-28T00:17:37","slug":"paranapiacaba-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/paranapiacaba-2\/","title":{"rendered":"Historia da Vila de Paranapiacaba"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hist\u00f3ria da Vila<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Panapiacaba \u00e9 uma vila localizada no topo da Serra do Mar, no munic\u00edpio de Santo Andr\u00e9, a cerca de 30km do centro da cidade. Foi constru\u00edda pela S\u00e3o Paulo Railway para abrigar seus funcion\u00e1rios durante a concess\u00e3o da estrada de ferro Santos \u2013 Jundia\u00ed, iniciada em 1860.<br>Este pequeno vilarejo rodeado pela Mata Atl\u00e2ntica preserva grande acervo hist\u00f3rico cultural, arquitet\u00f4nico, industrial, tecnol\u00f3gico e ambiental.<br>O patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e ambiental \u00e9 tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Art\u00edstico, Arquitet\u00f4nico e Tur\u00edstico do Estado de S\u00e3o Paulo), desde 1987; pelo IPHAN (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional) desde 2002; e pelo COMDEPHAAPASA (Conselho Municipal de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Art\u00edstico, Arquitet\u00f4nico-Urban\u00edstico e Paisag\u00edstico de Santo Andr\u00e9) desde 2003.<br>A Vila est\u00e1 na lista da UNESCO para ser reconhecida como Patrim\u00f4nio da Humanidade.<br>A hist\u00f3ria da Vila de Paranapiacaba est\u00e1 relacionada \u00e0 ferrovia e ao desenvolvimento econ\u00f4mico da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo. Desde meados da primeira metade do s\u00e9culo 19, havia interesse na implanta\u00e7\u00e3o de um meio de transporte eficiente e que substitu\u00edsse as mulas e escravos no transporte de produtos da capital para o Porto de Santos. O surto a\u00e7ucareiro do in\u00edcio do s\u00e9culo 19 impulsionou as primeiras provid\u00eancias nesse sentido. Em 15 de maio de 1860 foi fincada, em Santos, a pedra fundamental da estrada de ferro.<br>A partir desse momento, a Vila de Paranapiacaba passou a figurar como um local de acampamento de trabalhadores que se dedicaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da ferrovia. A constru\u00e7\u00e3o do trecho da Serra foi penosa, devido ao clima, muito chuvoso, e ao solo e relevo, sujeito a desmoronamentos.<br>A estrada de ferro foi inaugurada em 1867, momento em que Paranapiacaba j\u00e1 era constitu\u00edda de um pequeno p\u00e1tio de manobras, algum com\u00e9rcio na Parte Alta e de um acampamento na Vila Velha que, inicialmente provis\u00f3rio, era formado por alguns alojamentos que foi preservado para a manuten\u00e7\u00e3o da estrada e do pr\u00f3prio sistema na \u00e9poca.<br>O Morro ou Parte Alta foi se implantando desde 1862, concomitantemente \u00e0 Vila Velha. H\u00e1 registros de que desde 1880 havia um orat\u00f3rio na Parte Alta. A Igreja do Senhor Bom Jesus, ponto de refer\u00eancia dessa parte da Vila, teve sua pedra fundamental lan\u00e7ada em 3 de fevereiro de 1884.<br>Ao longo dos anos foi se organizando ao seu redor um adensamento urbano de caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s do sul da Europa, com moradias em encosta de eleva\u00e7\u00e3o natural e maioria de ruas estreitas, fazendo frente para o P\u00e1tio Ferrovi\u00e1rio. Ali residiam moradores que necessariamente n\u00e3o estavam envolvidos com o trabalho ferrovi\u00e1rio, mas negociavam g\u00eaneros aliment\u00edcios provenientes de v\u00e1rias localidades, em especial Mogi das Cruzes.<br>Em 1895, devido ao grande fluxo de mercadorias e passageiros e \u00e0 inaptid\u00e3o da linha ferrovi\u00e1ria para expans\u00e3o, a S\u00e3o Paulo Railway se viu obrigada a duplicar a linha, criando a Serra Nova ou Novos Planos Inclinados do Alto da Serra. Em 1896 os desenhos foram aprovados e em 1901 foi inaugurada a nova linha, que permitiu a melhoria no transporte de carga e de passageiros. O sistema era semelhante ao anterior: Funicular, mas com algumas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e a constru\u00e7\u00e3o de outros cinco patamares at\u00e9 o Alto da Serra.<br>Com a duplica\u00e7\u00e3o da linha e o aumento das atividades em Paranapiacaba, o antigo acampamento existente na Vila Velha tamb\u00e9m precisou ser ampliado. Inaugurou-se, em 1897, a Vila Martin Smith ou Vila Nova. Esta se caracterizava por um conjunto planejado de edifica\u00e7\u00f5es, com arruamento regular constitu\u00eddo por vias principais, secund\u00e1rias e vielas sanit\u00e1rias. O conjunto destacou-se por ser um projeto urbano com preocupa\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e que respeitou as condi\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas do local.<br>O aspecto provis\u00f3rio da Vila Velha foi trocado por uma vila organizada que possu\u00eda local definido de com\u00e9rcio, \u00e1rea de lazer, defini\u00e7\u00e3o de tipologias de resid\u00eancias de acordo com a hierarquia da empresa: casa de solteiros, casas geminadas de duas, de quatro e de cinco casas, casas isoladas, oficinas, resid\u00eancia para o engenheiro chefe, para o engenheiro brasileiro etc.<br>Esta era a Vila Martin Smith, com suas casas em madeira e telhas francesas ou de fibro-cimento. Ali moravam funcion\u00e1rios da S\u00e3o Paulo Railway que pagavam um aluguel simb\u00f3lico pela moradia. Aos poucos, as casas e galp\u00f5es da Vila Velha tamb\u00e9m foram sendo trocados, por resid\u00eancias semelhantes \u00e0s da Vila Martin Smith.<br>A Esta\u00e7\u00e3o de Paranapiacaba guardava um dos s\u00edmbolos da Vila: o rel\u00f3gio, que ainda hoje est\u00e1 na Esta\u00e7\u00e3o nova. De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o oral, o rel\u00f3gio marcava as diversas atividades da Vila: hora de in\u00edcio do turno, hor\u00e1rio dos trens, hor\u00e1rios de descanso etc. Mesmo quando a densa neblina n\u00e3o permitia visualizar o ambiente do entorno, o som das badaladas do rel\u00f3gio estava presente, marcando as horas do dia e da noite. Atualmente, ap\u00f3s anos sem trabalho, o rel\u00f3gio voltou a marcar os hor\u00e1rios em Paranapiacaba.<br>Com o fim da concess\u00e3o de 90 anos, a S\u00e3o Paulo Railway foi encampada pelo governo federal em 1946. A estrada de ferro n\u00e3o tinha mais o monop\u00f3lio do transporte a Santos. Na d\u00e9cada de 1920 foi inaugurada a estrada de rodagem Caminho do Mar e na d\u00e9cada de 1940 a Via Anchieta trouxe mais uma oportunidade para o meio de transporte que iria se impor a partir de ent\u00e3o: o transporte rodovi\u00e1rio.<br>Apesar de algumas moderniza\u00e7\u00f5es efetuadas desde ent\u00e3o a ferrovia perdeu seu espa\u00e7o no cen\u00e1rio nacional.<br>Paranapiacaba, por sua vez, tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o tinha mais a mesma utilidade. Na d\u00e9cada de 1980 o Sistema Funicular da Serra Nova foi desativado. Com seu fim, acabaram-se as viagens de passageiros para Santos. Houve uma breve retomada no in\u00edcio dos anos 1990, mas atualmente a \u00fanica linha em funcionamento \u2013 cremalheira-ader\u00eancia \u2013 \u00e9 apenas utilizada para transporte de carga.<br>Com essa situa\u00e7\u00e3o a vila de Paranapiacaba perdeu seu ponto de apoio na sociedade. Ela n\u00e3o servia mais para aquilo que tinha sido criada: o sistema ferrovi\u00e1rio. A Vila Martin Smith e Vila Velha estavam sendo desocupadas. O sistema automatizado n\u00e3o necessitava de um grande n\u00famero de ferrovi\u00e1rios na Vila. Esta \u00e1rea, de propriedade da Rede Ferrovi\u00e1ria Federal, exigia uma cara manuten\u00e7\u00e3o frente a moradias vazias ou pouco habitadas. Adicionalmente, os equipamentos ferrovi\u00e1rios foram sendo retirados ou abandonados. Enfim, a Vila come\u00e7ou a sofrer um paulatino abandono.<br>Alguns movimentos de ex-funcion\u00e1rios, arquitetos, moradores do Morro, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e interessados no patrim\u00f4nio cultural criaram movimentos de salvaguarda de Paranapiacaba. O mais intenso e que culminou no tombamento da Vila em 1987 foi o Movimento Pr\u00f3-Paranapiacaba. A Vila foi tombada pela Resolu\u00e7\u00e3o n.\u00ba 37 do Condephaat, de 30 de setembro de 1987, que a caracteriza como bem cultural de interesse hist\u00f3rico, arquitet\u00f4nico-urban\u00edstico, ambiental e tecnol\u00f3gico.<br>As vilas Martin Smith e Varanda Velha (Parte Baixa) foram compradas pela Prefeitura de Santo Andr\u00e9 em 21 de janeiro de 2002.<br>Fonte: Museu de Santo Andr\u00e9 Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.<br>Caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas da Vila de Paranapiacaba:<br>Altitude: m\u00e9dia de 840 metros.<br>\u00c1rea: 480.000 m\u00b2.<br>Clima: sub-tropical \u00famido.<br>Relevo: Serra do Mar, planalto paulista pr\u00f3ximo \u00e0 escarpa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28070\" srcset=\"https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15-272x182.jpeg 272w, https:\/\/www3.santoandre.sp.gov.br\/fip\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-24-at-16.56.15.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Vila Panapiacaba \u00e9 uma vila localizada no topo da Serra do Mar, no munic\u00edpio de Santo Andr\u00e9, a cerca de 30km do centro da cidade. 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